Repenser le recrutement arago
27 fevereiro 2026

Repensar o recrutamento em 2026: a análise de um especialista

Num mercado de recrutamento cada vez mais pressionado, as empresas precisam de repensar as suas práticas e ferramentas para atrair e recrutar os talentos certos.

Kristof Vasselon, cofundador da Rhaegal, o único integrador SmartRecruiters certificado em França, recentemente integrado na Arago, partilha a sua visão sobre os principais desafios do recrutamento atual. Ele aborda a evolução das expectativas dos candidatos, a crescente complexidade dos processos e os desafios tecnológicos, ao mesmo tempo que destaca soluções concretas que permitem às equipas de RH ganhar em eficiência, coerência e impacto.

Como nasceu a Rhaegal e qual foi o percurso até hoje?

Kristof Vasselon: “Criámos a Rhaegal em 2017, juntamente com o meu sócio Raphaël Brénon. Desde o início, decidimos obter a certificação SmartRecruiters, porque queríamos oferecer um acompanhamento altamente especializado nesta área. Desde então, implementámos mais de 150 projetos e desenvolvemos uma verdadeira expertise em implementação, adoção e migrações.

Juntámo-nos à Arago no início de 2026 porque o mercado e as expectativas das empresas mudaram: primeiro, com a aquisição da SmartRecruiters pela SAP, que trouxe uma maior convergência, nomeadamente com o SAP SuccessFactors, e depois com a vontade das organizações de disporem de um ATS totalmente integrado no seu sistema de informação.”

Quais foram as mudanças recentes que mais impactaram o mercado de recrutamento?

“Nos últimos oito anos em que implementámos a SmartRecruiters, observámos evoluções progressivas. No entanto, nos últimos seis meses a um ano, as mudanças tornaram‑se muito mais significativas.

O primeiro ponto é a consolidação do mercado. As empresas já não querem um ATS como ferramenta isolada, mas sim uma solução totalmente integrada nos seus sistemas existentes.

A segunda grande evolução é, naturalmente, a inteligência artificial. Há seis meses ou um ano, falávamos da IA como algo que estava a chegar. Hoje, ela já está presente e é amplamente utilizada. Os recrutadores utilizam‑na para triagem de currículos, resumos de perfis, identificação de candidaturas relevantes ou redação de anúncios de emprego. Mesmo sem se aperceberem sempre, a IA tornou‑se omnipresente no recrutamento.

Por fim, observamos uma pressão cada vez maior sobre o time‑to‑hire. Os candidatos também utilizam IA, tornam‑se ‘serial applicants’ e candidatam‑se em massa com candidaturas muito direcionadas. Neste contexto de concorrência crescente, reduzir o time‑to‑hire tornou‑se vital para captar o talento certo no momento certo, antes que seja contratado por outra organização.

Estas evoluções transformam profundamente as expectativas das empresas: querem recrutar mais rápido e melhor, com ferramentas integradas, capazes de gerir grandes volumes de candidaturas e de envolver todos os intervenientes do recrutamento.”

Que papel desempenham os gestores nesta evolução do recrutamento?

“Observamos claramente dois modelos. No primeiro, o gestor inicia o pedido — ‘preciso de um recurso’ — e depois afasta‑se em grande parte do processo. Este é o modelo de recrutamento de há cinco anos, ou até mais.

No segundo modelo, os gestores tornam‑se verdadeiros intervenientes do recrutamento. Participam em todas as etapas: definição da necessidade, afinação da função com os recrutadores, encontros com os candidatos e acompanhamento ao longo de todo o processo.

Hoje, a SmartRecruiters chega mesmo a enviar, três meses após a contratação, um inquérito ao candidato e ao gestor. Esta capacidade de medir a experiência de recrutamento tornou‑se um forte fator de diferenciação na atratividade do empregador.”

Porque são as migrações vistas como um desafio “vital” para as organizações atualmente?

“Porque já não falamos de um ATS isolado. O ATS faz agora parte de um ecossistema global. E, sobretudo, lidamos com volumes muito elevados: centenas de milhares, ou mesmo milhões, de dossiês de candidatos.

Com o RGPD e as exigências da CNIL, os riscos são significativos: até 4% do volume de negócios ou multas entre 10 e 15 milhões de euros. É por isso que colocamos uma forte ênfase na migração dos dados e na sua integração no sistema de informação global.”

O que esperam hoje as empresas de um ATS moderno?

“Esperam muito mais do que uma simples ferramenta de gestão de candidaturas. Procuram uma forte interoperabilidade, nomeadamente com a IA, relatórios personalizáveis e em tempo real, a capacidade de envolver todos os intervenientes do recrutamento e total conformidade com os requisitos regulamentares.”

Porque se tornou o direito ao esquecimento um ponto crítico nos projetos de ATS?

“Durante muito tempo, enviávamos automaticamente os dossiês dos candidatos por email para recrutadores e gestores. Com o RGPD, quando um candidato exerce o seu direito ao esquecimento, temos de eliminar todos os seus dados. Com a SmartRecruiters, todas as interações — emails, entrevistas, relatórios — estão centralizadas. Quando o candidato pede para ser esquecido, o seu dossiê é eliminado e o assunto fica resolvido.

Por outro lado, soluções menos maduras obrigam as equipas de TI a procurar dados dispersos em emails, drives partilhados ou postos de trabalho individuais. Na prática, isso é quase impossível de gerir corretamente.”

O que permite concretamente a aproximação entre a Arago e a Rhaegal?

“Reunimos duas forças complementares: a Arago, com a sua capacidade de gerir projetos complexos e internacionais, e a Rhaegal, com uma expertise muito aprofundada em recrutamento, SmartRecruiters e migrações associadas. Na prática, isto traduz‑se em governanças de projeto robustas, processos claros para a escalabilidade, migrações de dados seguras e formações estruturadas para garantir a adoção pelas equipas.”

Se tivéssemos de resumir a evolução atual numa frase?

“Passámos de um ATS concebido como uma simples ferramenta para um ATS pensado como um ecossistema integrado, impulsionado pela IA e sujeito a fortes exigências de conformidade e rapidez. Isto exige projetos muito mais estruturados para permanecer competitivo no mercado de talentos.”